28 de setembro de 2021

Atissonante

A movimentar a vida 
Como num gesto infindável
Das engrenagens enferrujadas
Que dispensam as mãos
No ar causticante e sufocante do século presente
Criando trágicas realidades sonoras
A desencadear maremotos invisíveis
Entre o espaço e o tempo 
A olhar e sentir a natureza incontrolável
Perdida sensibilidade das criações
Que desenfreadas revelam um futuro sombrio
Em que nada resta, senão a esperança
Retumbam as hostes que vencem corpos
De mentes saqueadas pela vilania dos príncipes
Encorpada trevas sucumbem das sombras
Formada pela mais terna e poderosa Luz
Quem há que negue a degeneração humana?
E julgue retamente teus próprios caminhos?
Colapsos reais em que forja a vida
E se encarrega o tempo o passar das horas
Trazendo consigo majestosa magnitude
Que antes falada de forma imensurável
Negada pela crendice humana em sua metafísica
Negando os adeuses das passagens 
Que são coisas que criadas, ficam
Para determinar o evoluir breve
Desmoronando altos e sublimes compostos
Engrenagens que avançam acima do inventor
Abrindo espaço para o magnífico
Em que seu esplendor não há senão a ilusão
De que Tudo é perfeito...
Mas tudo não nos cabe dentro
Simulando a colheita num gesto pensado
Em que as mãos criam os eventos
E no ato do agora, recriar
Porque foi preciso navegar
Revelando antigas descobertas
Tornando o mistério possível
Apenas no instante que se comprime no agora
Pois o depois como chega, também passa
E nos deixa a sonhar com o que poderia ter sido!
Entre o ápice deste querer, realizar
Longe do simples e do imitado
Tornando póstuma sua obra
Sem razão a buscar um verdadeiro sentido.

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