10 de fevereiro de 2018

O sopro do vento fala em meus ouvidos
Como o alento desejado da alma
Expira o instante e silencia os lábios
E nem a língua se move
Perversa realidade que se levanta nas ilhas
Pensamentos extremos que tudo vê
Mas o sentido se desfaz...
Tomou peso o vento e conseguiu medir as águas
Às águas se fizeram leis a sua existência
O relâmpago se fez um novo caminho
E o trovão  prepara o mundo
As sombras da noite soam como vasta luz
Transbordando o ribeiro às águas
Tudo leva, nada resta, senão a existência
De que todas as coisas vão passar
A lua já não é brilhante e o sol não é mais puro
E todas as estrelas navegam no espaço sem ar, sem cor aos olhos
A hora é um bicho oculto devorando almas
Aconselhando as ondas, esquecemo-nos do instante
E tudo vai passando longe d'onde funde o metal do espírito
[…]
Os mortos tremem debaixo das profundas águas
E os moradores gritam por socorro no silêncio
E nada e nem ninguém os podem ouvir
O inferno desnudo a mostrar sua coberta de perdição
O norte estendido sobre o vazio, e se suspende a terra sobre o nada
Prende as águas densas chuva atemporal e fria
E tudo que há debaixo dela se rasga em meio as partidas das estações
E os trilhos de metais se deslocam debaixo das nuvens
O limite da superfície das águas até os altos confins da terra
A vida expressada entre a luz e as trevas
As colunas se espantam as ameaças dos ventos
O mar se fende e compreende quem está ali, é gentil e terror sobre a noite
A morte enterra a vida, e murcha flor insiste respirar
Transborda lindo ribeiro d'água junto aos pés que se banham
E então, revolve o fogo ímpeto lugar a queimar
Abre-se os olhos e nada tens senão o que ali está
Assobia/.
Tira as coisas do lugar
E descobre na chuva as leis
E vento oriental
Declina/.
E a alma sente o que é precioso
E o corpo se torna um rochedo
Que nem chuva e nem vento
Pode arrastar, toca e ponto,
Passa/
Pois a mente é uma mina
E os olhos a tua fonte...
E tu és a minha própria vida,

8 de fevereiro de 2018

"Apesar do amor ser definitivamente a arma mais poderosa contra as ilusões e males das paixões. É também um sentimento assustador."

7 de fevereiro de 2018

De todas essas vozes que ecoam aqui sobre este mármore gelado, pairo a pensar que tão somente o pensamento podem atar as mãos. Sou a minha própria liberdade. Há um vício negro, que penso ser o único vício da vida. Que é de fazer o que todos fazem. Eu sento aqui, abro a revista, mas não leio. Aqui há suavidade no ar devido aos ares condicionados, apenas isso. Lá fora sei que há sol, e eu posso caminhar, depois de viver a mim e me libertar de tudo que existe fora de mim. E eu percebo a  minha Alma. Ela é invisível e não tem nome!

Tornam e giram os mundos

Tornam e giram os mundos

Desfazendo-se de sonhos inefáveis
Onde dorme a criança ao silêncio
De uma noite estranha e solitária
Em que o vento sopra vagamente às folhas

Folhas que desenham á vida e tornam seres estranhos o mundo
Giram suspeitos desejos e vontades e fantasias
Em que pensamentos são como uma lâmpada que alguém acende

"Que mágica, não o é
Mas realiza, ilude em meio às sombras
Inda que por dentro impedindo a paisagem
Para ser depois lá fora... O tempo que se perde."

Lua atenuada no vasto céu de estrelas
Faz-me dormir depois do sonho
E quando vivo dentro dessa satisfação
De ter a sensação de estar morto

"E tudo que há lá fora
É real, mas não me pertence
Sou eu inteiro para mim
Dentro de um mundo derradeiro."

E não há ilusão e nem magia e nem paixão
Porque na ilusão  se perde, o fogo faz cinza e depois desfaz...
E do invisível surge o governo absoluto para tudo
O que se chama, Alma para aquecer-me no frio da garoa..

E só há morte para os que se assumem nos próprios pedacinhos de céu

Porque se desfazem...

3 de fevereiro de 2018

Bate o vento na minha janela
E a âncora da alma, paira aqui
Onde estou a sonhar, pleno a sentir
A liberdade de nada ser
A sombra das luzes vagam o corredor
Me aquecem os braços distantes
Dela que torna o momento formoso
Pelas infinitas estrelas que deslizam as nuvens
Como também faz do céu
O mais pleno reflexo do mar...
Sentia saudade desse frio
Que paira na alma e se ancora neste cais
Aurora que me alcança e silencia medos e temores
Descarrilado movimento do mundo em chamas
Que faz-me se aquecer neste quarto
De versos sem sentido,desenho a Vida
E transformo o vento em sensação
Trazendo de dentro do peito a invenção
Invenção de que sobreviver as mudanças extremas do tempo
É uma graça, como a mãe que dá a luz
Eu dependo das margens porque sou rio
E ela depende da profundidade, porque é mar
E quanto mais frio e distante dos sentidos reais
Mais distante as coisas que existem, podem nos alcançar...

Eu começo a sonhar
E o vento real bate á minha janela...
Logo a garoa vem
E dormir é viver para amanhã despertar novamente a sonhar

2 de fevereiro de 2018

Nada nunca termina...

Nada nunca acaba!

Tudo é um começo.

Sentado a beira da estrada como um velho de chapéu a descansar enquanto o tempo passa. Tolice a  minha esperar somente esse vento litorâneo passar. Esse meu relacionamento com as coisas que me distraem, uma hora que joga ao chão, faz-me levantar sempre mais forte pela queda. Outrora eu, que nada era, hoje feito a estação nada me tem senão essa coisa chamada alma que navega infinitos confins. Que admito,são quase surreais, mas são as telas que pintam esse horizonte dessa estrada chamada vida. Sento-me ali também como se fosse uma criança perdida, a encontrar coisas, como brinquedos e peças de um velho quebra cabeça. Chego a chorar por não ter a outra metade de cada coisa que se foi. Mas aqui tudo começa, nada é o fim, porque a vida é o póstumo ensaio para eternizar, não somente as coisas, mas a nós diante de cada gesto. O mundo para aquele velho ou para aquela criança, será sempre o mesmo labirinto, a levar para ruas com nomes e travessas para longas avenidas. Bem, a verdade... A verdade é que nada disso é uma novidade!  Senão aquilo que sonhamos a beira da estrada. É o que nos faz seguir e percorrer esse sentido de que tudo é nada.

1 de fevereiro de 2018

Estranha essa sensação de parar a existência das coisas

O sol executa perfeita sinfonia silenciosa
A iluminar toda campina e cidade
Desse modo poético a decifrar que são tantas e tantos
Tantas relvas e tantos muros inventados por mãos de pensares humanos

Esse processo de se refazer a cada dia
Justo para que o sono, nunca seja o mesmo
Agora começa a bater o meu coração
E ele é colocado no mais alto lugar

Além destas migalhas de fumaça que ofuscam a beleza natural
De todas as coisas que falam dos olhos
Sorrindo-me o sol a brilhar, senti e calei
Simplesmente por esse fogo cerrado em meu peito

Depois de muito tempo, senti a luz do sol
E percebi o quanto tudo isso me basta
Deitar-me no silêncio da tarde enquanto venta
A energia que desenha a minha gratidão em sorrir

Saudei os pássaros a cantar, ali perto as crianças cirandam
E faz-me ser criança e isso basta para mim
Calar e sentir para ser interior e observar o que muda
Sem se deixar ser a folha que diz o vento levar

Preciosidade

"A mentira da criança mais inocente, pode fazer o mais astuto entre os homens se mutilar num sentimento ilusório até se rastejar".