1 de fevereiro de 2017

"Não diga nada, apenas deixe-me te contar algo;
Chove lá fora, e tudo parece vago,
Mas cada gota que cai, corta o silêncio que há em mim
E deslizo como cada gota de orvalho sobre as flores
Distantes de mim, num campo mórbido e cinza
Pairo aqui só e o silêncio que deveria haver em mim
Se quebra junto a tempestade que se forma depois da chuva
Sou um sonho inadequado para tudo quanto existe lá fora
Nada importa, senão estar aqui e ver, notar;
Que além destas cores, há um espaço em nós
Pobre como são as vitrais periféricas, desnudo
Meus pensamentos e encontro-me aqui
Ao meado de tua companhia muda, inquieta deste lado
Que em mim desconhecido, faz nascer o anseio
De saber o que há além deste espelho que me reflete
Tão certo e nunca falha ou erra, pois reflete certo
Porque nunca pensa, meu erro o de pensar
Quando posso eu mesmo ser a chuva que cai lá fora
E me despeço como o som que faz duma simples chuva
Uma forte e devastadora tempestade, calmos somos
Quando não pensamos, e escolhemos ver, apenas.

Quis escrever nas noites mais frias e longas das quais cada um dos meus pensamentos eram naufrágios. Mas não fui permitido a escrever com pe...