22 de abril de 2017

Encontro estas flores despojadas ao chão/ Nada me leva além daqui, deste olhar que tenho a ti/A imagem muda de uma mulher sonhada/A vasta quietude de mim, querendo levar-me a ti, que longe esta/Me perco nessa utopia, me vejo querendo tuas mãos sobre as minhas/ Um verso reverso, sobre a vidraça embaçada/Aqueço-me apenas com a ideia de que existe além de mim/Me atenho aos sonhos que frustram, mas nascem no fim de cada tarde/ Desenho o mundo que não há/Me sento a pensar nas tardes que não tivemos/Nas manhãs que não te vi acordar/Penso tanto nos dias de chuva que deixamos de estar perto/Nos filmes que não assistimos juntos/ Não sou de sofrer por irrealidades/Mas essa saudade de coisas não vividas me corta o coração/Mesmo cortado, este coração palpita viver/Ainda que nada faça sentido/ Surgem as cores e me faço alheio ao desejo de simplesmente desejar/Continuamente, no limiar frio desta noite, sonho sem sono/Não adormeço/Sonho-te/Desmentindo a irrealidade.

"Atenua-se no vasto céu negro antigas estrelas e esplendorosa e formosa lua...

Fazendo mundos surgirem junto a sensação do vento noturno Solstício outono também declama o amor as folhas Onde cada uma delas também...