25 de fevereiro de 2018

Eu me deitei ali e vi

Eu me deitei ali e vi...

No canto da varanda onde havia um pouco de sol
Em que o seu calor queimava-me como lenha
Todas as colunas, eram como pedras que impediam a lenha de se espalharem
Sentia-me agraciado pela vida só de estar ali
Porquanto também as nuvens dançavam no céu espesso
Cobrindo em certos momentos o mesmo sol que aquecia
E sentia que ver, estava muito além de pensar
Porque nada pesa tanto quanto existem as coisas
Vi que as cores dão nomes e sentidos as todas as coisas
Daqui de onde estou toco a parede e o chão sem sol
Há algo que me diz que não está quente, porque eu sinto ao tocar
E isso não significa o embaraço do sentimento humano
Eu me sinto como se fosse o mesmo sol a aquecer o sol que me aquece
Uma frondosa nuvem gentil vem me visitar e fica ali algum tempo
A me espiar enquanto vou dando forma a esse verso comprido
Se fecho os olhos, sinto um ardor da cor avermelhada e alaranjada e amarela também
E quando chega o vento, forma a mesma canção que faz-me adormecer no canto da tarde
E eu sou grato por sentir a verdade como penso nela
Não como sinto que acho que penso sentir
Se meus ouvidos pudessem ver, falariam do perfume
Que as minhas narinas com os olhos não podem sentir
E eu toco essa flor, porque eu plantei a sua semente
E teu Criador, deu o crescimento
Sonho para não delirar a realidade

Gosto da palavra Que forma o verso E dá sentido ao pensamento Tudo pela metade Significa nada É como suicidar o pouco que se sabe E tr...