O badalar do relógio,
Que descompassa,
Tornando surreal, o que em mim não faz sentido. Penumbro a noite que cai, e me declino neste corredor, sufocado de sombras. A meia luz da sala, o terno silêncio avançando o constraste dessa imagem nua a parede, de uma tela antiga e empoeirada. O mundo em caos, e me deito a relva dos pensamentos, contraindo o corpo ao tapete despejado ao chão frio, que mesmo assim, aquece-me. Ora, que bate a janela. Senão o vento inquieto... Tudo se esvai e então desce brisa noturna, mortífera. Entre a silhueta do que em mim se faz distante, mas traz-me o vento, a sensação de que há muito mais do que posso ver ou sentir.
E danço no topo dessa montanha sombria. Vejo o mundo em declínio, e sou fascínio, loucura... Abro os braços e danço a luz da Lunna. Antiga e intocável, aprecio a flor da noite, chamada síntese da atração, e eu corro para me perder na mata escura, deparando-me a tua imagem no rio, onde me dispo e mergulho tão profundamente que não preciso te tocar para te sentir. Profunda canção de ninar, tocam as folhas e a escuridão se desfaz. Sem me submergir, sou a superfície do teu corpo, e cada curva que vejo como estrada, se faz nota, orquestra dos meus sonhos. Dentro de mim, bate este velho coração, e sou teu ar a respirar e lapso entre a realidade e o desejo.
Uiva o vento, e toda aldeia adormece. Rufa as folhagens, e a lua imaginária cobre o céu sem estrelas, o brilho que há em teu oculto ser, faz-me colher flor noturna que dança entre os alicerces espirituais. Movo o tronco de carvalho e me sento a vislumbrar teu marítimo ser que existe na eira dessa fogueira que acesa aquece meu ser e faz profundo em sentir. Cada meado de suas mãos fervorosas, veneno mortal são teus beijos e perdição teu corpo. Que antes um farol, agora se apaga e deixa-me ao léu deste infinito aeon. Bailando teus finos fios de cabelos, e encontro a ponte que finda este mero sonho. Desperto, e não há sombras, mas a luz que .mostra-me o caminho, deito-me ao teu lado, respirando teu ser que flameja o frio, e me aqueço em te ver. E me atento em não tocar, mas apreciar tão belo sonho de uma princesa que antes fazia-me sonhar, e torna possível a realidade perceptora que interiormente em mim, adormecia.... Chia as copas altas das árvores, e cantam pássaros. noturnos, e durmo quem sabe que sono sem sonho, é viver além das mortalhas das ilusões.
14 de agosto de 2017
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