28 de fevereiro de 2018

Telhas de nuvens descem
E sonho contente este sonho
Pararam algumas coisas ali
E acolá beira teu deslizar

E a liberdade de ver ressurge
Trazendo coisas que ninguém trás
A chaleira sem tampa faz teu ar
De perfumada camomila e cidra

Reviram os moinhos no alto
Em que alucinam às flores na noite
Onde a candeia de luz faz passos surgirem
Movem-se como nunca antes se moveram

Dormem os pesadelos no aro da realidade
E no furor do vento, sou a chegada da chuva
Suspendendo tempo e espaço
Assumindo a dimensão da nova existência

Fazendo teu discurso de majestade
Vem mi'alma assombrando males
E desperta ali no canto do invisível
A perfeita forma da cor que a tudo dou nome.

25 de fevereiro de 2018

"E eu sou grato por sentir a verdade como penso nela. Não como sinto que acho que penso sentir."

Eu me deitei ali e vi

Eu me deitei ali e vi...

No canto da varanda onde havia um pouco de sol
Em que o seu calor queimava-me como lenha
Todas as colunas, eram como pedras que impediam a lenha de se espalharem
Sentia-me agraciado pela vida só de estar ali
Porquanto também as nuvens dançavam no céu espesso
Cobrindo em certos momentos o mesmo sol que aquecia
E sentia que ver, estava muito além de pensar
Porque nada pesa tanto quanto existem as coisas
Vi que as cores dão nomes e sentidos as todas as coisas
Daqui de onde estou toco a parede e o chão sem sol
Há algo que me diz que não está quente, porque eu sinto ao tocar
E isso não significa o embaraço do sentimento humano
Eu me sinto como se fosse o mesmo sol a aquecer o sol que me aquece
Uma frondosa nuvem gentil vem me visitar e fica ali algum tempo
A me espiar enquanto vou dando forma a esse verso comprido
Se fecho os olhos, sinto um ardor da cor avermelhada e alaranjada e amarela também
E quando chega o vento, forma a mesma canção que faz-me adormecer no canto da tarde
E eu sou grato por sentir a verdade como penso nela
Não como sinto que acho que penso sentir
Se meus ouvidos pudessem ver, falariam do perfume
Que as minhas narinas com os olhos não podem sentir
E eu toco essa flor, porque eu plantei a sua semente
E teu Criador, deu o crescimento
Sonho para não delirar a realidade

24 de fevereiro de 2018

Deixe-me compartilhar com você uma memória

Dentro desse sonho, há uma imagem da morte
E ela me leva onde há um saco de ossos
Em que ali está o meu nome
E pelo corredor daquele vale escuro e frio
Por entre as entranhas das sombras
Flui meu espírito sem qualquer pedaço de carne
Tange a morte a dança e sorrindo a bruxa vem na escuridão
Por quatro vezes me falta o ar enquanto sonho
Desejo plácido onde me tocam quatro mãos
Descem as nuvens e ecoa o vento do norte
Por um segundo volto a ser uma criança
Que inocentemente faz tornar ás horas para trás
A desordem que traz á tona a visão
Desperto sem ar, mas volto a sonhar
Águas escorrem sobre o efeito de uma antiga magia
Percorro sonâmbulo, mas tão vivo quanto essa semente
E descubro que não há nada que possam fazer
Que não possa ser desfeito com a batida do meu coração.

A noite trouxe dia,
E tua luz, trouxe-me  notícia da morte.

21 de fevereiro de 2018

Rufa o tempo sobre essa silhueta

Imagem do inenarrável sentimento
Que faz ressuscitar perfeita ponte
Onde brinca as ondas de águas claras
Riacho profundo, chamado sono

Diante de uma inóspita e inaudível sombra
Onde se espanta o vento e ali adormeço
Como se nada existisse por fora dos olhos
Uma visão de estrelas além da mortalha

O canto antigo do pensamento a vagar
Sobre moinhos de sonhos gerados no ato
Dessa inalcançável sensação de estar morto
Eu, adormecido, pairo no silêncio dessa madrugada fria

Em que ao declínio do cansaço de existir me refaço
Vem surgindo um estado alarmante
Em que sou eu para mim, um tenro perigo mortal
Que são notícias, senão nuvens que passam?

Eu estou adormecido na minha existência
E o que tangem ali?
Será uma bruxa ou uma canção?
Deliro a realidade e me me torno solitude

Sou esse vento sem cor, leviano e solstício
Que paira as folhagens e forma a vida
Uma estação  passageira sobre essa nota
Eu existo, mas também deixo de ser e tudo se transforma

19 de fevereiro de 2018

"Eu e Ela."

Não são moedas meus anseios
Ardentemente, desejo além do pensamento
Porque não enxergo com os olhos
Enxergo com a alma
E somente ela sabe o que não sei
Até mesmo de mim para isso
Que chamo de mundo existente na superfície dos olhos
Não existe para mim dentro do meu sonho
Sonho profundo e não íntimo da morte
Sou uma nota que desce a rua
A cantar no invisível da suprema realidade
Não sei nada além de mim
Me tornei esse depósito, quase um dom
Um livro inacabável, cheio de júbilos a se lembrar
Sem paixões ou romances de contrabandos
Sou esse amor, que é traslado do seu sentimento
Por onde quer que siga e vá
Tudo ali está, sem procurar uma vaga
Sou o silêncio desse corredor desse museu das letras
E também a porta desse teatro fechado
A cortina que se abre para o espetáculo da vida
Em que na paisagem naturalmente se desenha a arte
Não posso retornar desse sonho
Porque está tudo ali...
Em meio a essa música que danço com as estrelas
Sou a mistificação desse passo inteiro
Sem metade perdida ou esquecida
Eu sou farol dessa ilha perdida
Que se encontra mesmo na escuridão da noite
Que é bela simplesmente por ser noite
Porque é o sinal de que descansa o nosso dia
Eu sou o despertar de mim
A hora e o tempo
Eu sou o agora, vivendo o futuro que sou eu
Sou divisor das minhas águas
E nada há além de "Eu e Ela."

(Des-fragmento)

Eu chego e ela se aproxima vagarosamente
Sorrindo me estende a mão
Enquanto ele rodopia no terraço a brincar
É como chutar as pedras para longe
Dali do alto daquela casa, juntos vemos as estrelas
Em meio a uma noite tão cintilante
Que o bendito vento gentil nos aquece
Meu coração se acende como um fogo
Há lenha nesse altar, chamado o mesmo coração
E vai queimando...
Nos deitamos no chão
A contar as incontáveis estrelas
E engraçado que nunca nos cansamos
De vê-las no mesmo lugar
Mas sempre de um modo diferente
Depois nos sentamos e há silêncio
Apenas os lábios que se movem
A criar o mesmo vento a soprar
E esfriar o chá que acalma ternamente
Ela que não gosta de chá, come seus biscoitos
O pequeno Davi se deita e adormece
Ela conta uma história para mim
E eu viajo no intervalo em que deixo de existir
E me noto, uma eterna criança sem sandálias...

O chá das 19:51 com Anna & Davi

18 de fevereiro de 2018

"Tentei descrever a Deus em belos versos
Mas se quer consegui me expressar...
Seu poder e efeito, são soberanos
Eu consigo apenas sentir
E me envolvo nessas águas
E navego num oceano de mistérios profundos
Conhece-me por dentro e por fora
Dominador do universo
E verso não pode descrever
No presente, controla o futuro...

15 de fevereiro de 2018



"Somos feito uma imagem de um som inaudível!
A cor como o mais rarefeito da vida em sua existência interna.
Coisa pela qual nada ainda pode nos definir.
Somos a criação mais fantástica de nossos princípios.
Porque pensamos antes de ser ou ter.
Estou certo de que tudo vem de dentro.
E tudo se parte do lado de cá, do lado de fora
Onde há frio!
Onde habita as cores por detrás de nossos olhos."


14 de fevereiro de 2018

Se buscasse eu a forma das rimas, me perderia
Prefiro este inconsciente que me surge e me transforma
Na composição poética imperfeita que faz tudo refletir, surgir
Essa pequena fresta avermelhada que reluz, candeia

Sou a própria percepção dessa estação que chove
Dia de cinza que conta o retrocesso do vitupério
Uma dança secreta dentro do pensamento
Que faz-me bailar a passos largos

Porque assim, tudo logo passa
E como anseio que passe
E eu me torne o tempo
Que me leva além da estação

Conduzir-te-ei além do véu das cinzas
Para deitar-me aos teus seios e adormecer
Abrir os olhos para o horizonte que se desenha
Diante da janela desta casa onde há uma canção

Que toca a menina de laço lilás
E ela realiza a chegada dos dias aos olhos castanhos
Deita a face sobre teu instrumento e adormece tranqüilamente
Faz sonhar a vida por ti e tudo se desfaz

Um caminho que traslado vem surgindo
Porque um dia será reino do sol
E as cortinas declamarão o sossego da varanda lá fora
E a vida vai acontecer sem medo da realidade.

10 de fevereiro de 2018

O sopro do vento fala em meus ouvidos
Como o alento desejado da alma
Expira o instante e silencia os lábios
E nem a língua se move
Perversa realidade que se levanta nas ilhas
Pensamentos extremos que tudo vê
Mas o sentido se desfaz...
Tomou peso o vento e conseguiu medir as águas
Às águas se fizeram leis a sua existência
O relâmpago se fez um novo caminho
E o trovão  prepara o mundo
As sombras da noite soam como vasta luz
Transbordando o ribeiro às águas
Tudo leva, nada resta, senão a existência
De que todas as coisas vão passar
A lua já não é brilhante e o sol não é mais puro
E todas as estrelas navegam no espaço sem ar, sem cor aos olhos
A hora é um bicho oculto devorando almas
Aconselhando as ondas, esquecemo-nos do instante
E tudo vai passando longe d'onde funde o metal do espírito
[…]
Os mortos tremem debaixo das profundas águas
E os moradores gritam por socorro no silêncio
E nada e nem ninguém os podem ouvir
O inferno desnudo a mostrar sua coberta de perdição
O norte estendido sobre o vazio, e se suspende a terra sobre o nada
Prende as águas densas chuva atemporal e fria
E tudo que há debaixo dela se rasga em meio as partidas das estações
E os trilhos de metais se deslocam debaixo das nuvens
O limite da superfície das águas até os altos confins da terra
A vida expressada entre a luz e as trevas
As colunas se espantam as ameaças dos ventos
O mar se fende e compreende quem está ali, é gentil e terror sobre a noite
A morte enterra a vida, e murcha flor insiste respirar
Transborda lindo ribeiro d'água junto aos pés que se banham
E então, revolve o fogo ímpeto lugar a queimar
Abre-se os olhos e nada tens senão o que ali está
Assobia/.
Tira as coisas do lugar
E descobre na chuva as leis
E vento oriental
Declina/.
E a alma sente o que é precioso
E o corpo se torna um rochedo
Que nem chuva e nem vento
Pode arrastar, toca e ponto,
Passa/
Pois a mente é uma mina
E os olhos a tua fonte...
E tu és a minha própria vida,

8 de fevereiro de 2018

"Apesar do amor ser definitivamente a arma mais poderosa contra as ilusões e males das paixões. É também um sentimento assustador."

7 de fevereiro de 2018

De todas essas vozes que ecoam aqui sobre este mármore gelado, pairo a pensar que tão somente o pensamento podem atar as mãos. Sou a minha própria liberdade. Há um vício negro, que penso ser o único vício da vida. Que é de fazer o que todos fazem. Eu sento aqui, abro a revista, mas não leio. Aqui há suavidade no ar devido aos ares condicionados, apenas isso. Lá fora sei que há sol, e eu posso caminhar, depois de viver a mim e me libertar de tudo que existe fora de mim. E eu percebo a  minha Alma. Ela é invisível e não tem nome!

Tornam e giram os mundos

Tornam e giram os mundos

Desfazendo-se de sonhos inefáveis
Onde dorme a criança ao silêncio
De uma noite estranha e solitária
Em que o vento sopra vagamente às folhas

Folhas que desenham á vida e tornam seres estranhos o mundo
Giram suspeitos desejos e vontades e fantasias
Em que pensamentos são como uma lâmpada que alguém acende

"Que mágica, não o é
Mas realiza, ilude em meio às sombras
Inda que por dentro impedindo a paisagem
Para ser depois lá fora... O tempo que se perde."

Lua atenuada no vasto céu de estrelas
Faz-me dormir depois do sonho
E quando vivo dentro dessa satisfação
De ter a sensação de estar morto

"E tudo que há lá fora
É real, mas não me pertence
Sou eu inteiro para mim
Dentro de um mundo derradeiro."

E não há ilusão e nem magia e nem paixão
Porque na ilusão  se perde, o fogo faz cinza e depois desfaz...
E do invisível surge o governo absoluto para tudo
O que se chama, Alma para aquecer-me no frio da garoa..

E só há morte para os que se assumem nos próprios pedacinhos de céu

Porque se desfazem...

3 de fevereiro de 2018

Bate o vento na minha janela
E a âncora da alma, paira aqui
Onde estou a sonhar, pleno a sentir
A liberdade de nada ser
A sombra das luzes vagam o corredor
Me aquecem os braços distantes
Dela que torna o momento formoso
Pelas infinitas estrelas que deslizam as nuvens
Como também faz do céu
O mais pleno reflexo do mar...
Sentia saudade desse frio
Que paira na alma e se ancora neste cais
Aurora que me alcança e silencia medos e temores
Descarrilado movimento do mundo em chamas
Que faz-me se aquecer neste quarto
De versos sem sentido,desenho a Vida
E transformo o vento em sensação
Trazendo de dentro do peito a invenção
Invenção de que sobreviver as mudanças extremas do tempo
É uma graça, como a mãe que dá a luz
Eu dependo das margens porque sou rio
E ela depende da profundidade, porque é mar
E quanto mais frio e distante dos sentidos reais
Mais distante as coisas que existem, podem nos alcançar...

Eu começo a sonhar
E o vento real bate á minha janela...
Logo a garoa vem
E dormir é viver para amanhã despertar novamente a sonhar

2 de fevereiro de 2018

Nada nunca termina...

Nada nunca acaba!

Tudo é um começo.

Sentado a beira da estrada como um velho de chapéu a descansar enquanto o tempo passa. Tolice a  minha esperar somente esse vento litorâneo passar. Esse meu relacionamento com as coisas que me distraem, uma hora que joga ao chão, faz-me levantar sempre mais forte pela queda. Outrora eu, que nada era, hoje feito a estação nada me tem senão essa coisa chamada alma que navega infinitos confins. Que admito,são quase surreais, mas são as telas que pintam esse horizonte dessa estrada chamada vida. Sento-me ali também como se fosse uma criança perdida, a encontrar coisas, como brinquedos e peças de um velho quebra cabeça. Chego a chorar por não ter a outra metade de cada coisa que se foi. Mas aqui tudo começa, nada é o fim, porque a vida é o póstumo ensaio para eternizar, não somente as coisas, mas a nós diante de cada gesto. O mundo para aquele velho ou para aquela criança, será sempre o mesmo labirinto, a levar para ruas com nomes e travessas para longas avenidas. Bem, a verdade... A verdade é que nada disso é uma novidade!  Senão aquilo que sonhamos a beira da estrada. É o que nos faz seguir e percorrer esse sentido de que tudo é nada.

1 de fevereiro de 2018

Estranha essa sensação de parar a existência das coisas

O sol executa perfeita sinfonia silenciosa
A iluminar toda campina e cidade
Desse modo poético a decifrar que são tantas e tantos
Tantas relvas e tantos muros inventados por mãos de pensares humanos

Esse processo de se refazer a cada dia
Justo para que o sono, nunca seja o mesmo
Agora começa a bater o meu coração
E ele é colocado no mais alto lugar

Além destas migalhas de fumaça que ofuscam a beleza natural
De todas as coisas que falam dos olhos
Sorrindo-me o sol a brilhar, senti e calei
Simplesmente por esse fogo cerrado em meu peito

Depois de muito tempo, senti a luz do sol
E percebi o quanto tudo isso me basta
Deitar-me no silêncio da tarde enquanto venta
A energia que desenha a minha gratidão em sorrir

Saudei os pássaros a cantar, ali perto as crianças cirandam
E faz-me ser criança e isso basta para mim
Calar e sentir para ser interior e observar o que muda
Sem se deixar ser a folha que diz o vento levar

Os demônios

Os demônios A penumbra da madrugada fria Onde estreitos eixos se debatem Como um finíssimo aço na mata que se propaga Um saco de ossos v...