30 de junho de 2018

"Reviram os sonhos o mundo

E adormece a realidade no tiquetaquer do relógio
Que pairo sobre o canto da parede, chega
Trazendo a hora sobre a vida, que realiza
Cada instante a transformar...

Suspira o vento as folhas
E a vida palpita seu deslizar
Deixando rastos invisíveis de sentimentos
Que desenham solares monumentos

Cores que são nomes e coisas, todas
Estas que fluem feito rio claro
Que desce sem perceber aos oceanos
Que mesmo divido por letras, é um só.

26 de junho de 2018

"Discurso

De como desce á tarde
Tornando-a pura e refinada para sentir
Sua suave brisa embalada pelas flores
De um jardim invisível

Sobre os orvalhos do fim da manhã
E completamente o silêncio
Deste soslaio á minha janela
Onde bate o vento/

Os pássaros peregrinam no estreito muro
Que dividem os cômodos
Sou estrangeiro sem bagagem
Cantando para quem nome não tem

Passa por mim a borboleta
E repousa na flor deste quadro
Real, chamado vida!
O sol queima, mas se pode suportar

Sinto como um alqueire para todas as nuvens
Que gentilmente cobrem este mesmo sol
E derradeiro se vai, calmo e sem voz
As formigas ali trabalham com seu peso

E pára-vento
Toca-tudo
Em-nada-fica
A fotografia dos olhos...

À vida.

21 de junho de 2018

Quando eu chego aqui e me sento a pensar, vejo que temos o poder absoluto de tomar as decisões que decidem grande parte da nossa vida que ainda não fora revelada. Eu me refiro ao futuro. E se eu me pego recostado ao pilar que sustenta a balança onde brinca a criança, penso nitidamente: se nada acontece ou se o resultado não vem, é certo que no passado nada foi semeado. O que se colhe de outros campos, são como folhas secas. Há urgências em qualquer coração que deseja respirar para fora e deixar de ser sufocado por dentro de forma que não se saiba esperar o momento certo da ação. Quanto mais longe das coisas visíveis e realizadas, mais perto do esplêndido se pode chegar. E assim, se eu caminho, percebo que tenho o domínio sobre o que penso. Sobre o que eu quero, não sobre o que vê meus olhos. Então, eu começo a correr...

"Na vigília dessa noite, enquanto todos dormiam. O mundo a se mover sem perceberem da mesma forma ao estarem todos despertos. Movia-se além do silêncio, tão absoluto Ser, que no agito das árvores, deu nova vida as aves, suave perfume as ervas que ao chegar do dia florescerão como a manhã. Trouxe iluminuras aos pensamentos e fez da imaginação o profundo sentido fora da realidade. E enquanto o mundo dormia e o galo cantava anunciando a hora que sempre chega, deu vida ao adoecido e esperança ao cansado. E novos caminhos como chuvas, havendo um limite para cada trovão que anuncia que existem coisas que não se pode ter o controle. Mas que deixar de realizar a própria vontade, faz-nos a nada temer."

20 de junho de 2018

Ora! O homem criador das máquinas e suas engrenagens fazendo o tempo correr a todo vapor. Como vagões desenfreados pelas estações que percorrem a vida transparentemente sem se ver. Essa patologia metódica escritas por teorias de engano que estacionam todas as ações possíveis da cura do espaço em que se encaixam pequenos seres limitados ao movimento da existência para a realização do sonho abortado antes do nascimento."

Eu sou o poeta

O nascimento de um sonho
A dimensão da sua existência realizada
Feito chuva para os campos
E águas para os rios formar o mar
Que nunca se seca...
A virtude interior que transforma
Através da existência do invisível
Que trás a vista, a transcendente e formosura da vida
Basta existir para ser feliz
Basta acreditar que somos realizadores
Capazes de impedir que nos represem
Porque somos criadores de tempestades
Então, somos também o mar, o vento.

O inverno

"Todo ser humano quer satisfazer seu prazer em tudo em todas as coisas. Mas o próprio ser se esquece de que um dia seus desejos vão falhar por não poder realizar sua própria vontade. O melhor da vida é amar a si para evitar o ato da tolice em não ter e usar isso pela razão do estado alarmante...

"Em meio a noite, antes de raiar o dia. Os altos montes estão ali, ainda que o mundo inteiro adormeça. Sonâmbulos reduzidos em carros desenfreados, onde os salteadores tomam suas vidas a nada. Porque são como correntes dágua. É um breve sono estar vivo. Mil anos, é o mesmo que um único dia, isso depende de quem você é para si...

Ontem assim passou, feito a noite em sua vigília
E pela manhã vai crescendo a erva e ninguém a vê
A luz oculta da noite se revela sempre pelas manhãs
E nas vigílias das noites, lobos sopram nas sombras risos
E faz do cansaço e enfado seu orgulho, e a vida se corta
Como um conto que se conta, não se conta os dias
E eira da estrada se desfaz ao rasto de  morte
Silenciando inocentes sonhos...

"Ensina-me a contar os meus dias de tal maneira, até que eu alcance um coração sábio. E domine em mim, todas as minhas vontades. Que eu domine a minha razão, conheça meus sentimentos e não viva de emoções."

19 de junho de 2018

"Ele acreditava que poderia empinar aquela pipa no alto. Mas faltava vento...
Ele corria e tropeçava sempre. E o vento dizia: sem mim, você não é nada.
O que se vê falta, acaba e o que se precisa realmente, não se percebe e nem sente.

Então pensei: plantar a semente de uma árvore, demonstra fé no futuro. Sem nós o mundo não pode ser nada. Por isso, dilui-se vorazmente o tempo e não se nota a falta de espaço pela soma da corrupção e alienação do conhecimento humano. 

(Fragmentos)

E queira conhecer. Ter, ser, transformar impedindo o estacionamento da vida pelas emoções.
Esqueça  profundamente essa filosofia do passado: de quê queria ou poderia, e que teria sido diferente.

Pois pensamentos são como poeiras e o movimento consciente do querer realizar, faz do sonho a ponte de satisfação em obter o resultado. Ao invés de ver a vida como um conto de fada, cheio de suspiros e de páginas em branco.

Pois: páginas em branco, revelam a intensidade que a vida quer se realizar em nós. Rabiscos surgem, pela falta de capacidade em desprezar o destino dar sentido a força do esquecimento da vida pelo que ficou para trás , assumir apenas a responsabilidade de ser a matéria-prima, em que a alma como autora da história, realiza a obra-prima, que somos nós.

Nossos maiores e piores inimigos também!

Diz-me os ventos e me explica as ondas do mar

Sobre os céus troveja e finda toda luz dos olhos
A declamar o medo sobre crianças e mortais que escutam, mas não ouvem
Porventura, teme a tempestade o homem que condena o mundo?
A se justificar pela soberba desviando os trilhos marítimos?

E assim como vagões se perdem a ferrugem das águas
As cargas são deixadas como fardos imprecisos da vida
Própria em majestade e alteza de excelência
Desfazendo como brasas de lenha ardente os sonhos

Trazendo o furor de uma sinfonia atenta para tudo
Em que olhos não vêem, sentidos nenhum percebe
Mas os lábios lamentam o ato previsível
Pois esconde-se o criador pelo percurso do medo e lamentação

Ata-lhe o rosto por detrás da porta que esconde o segredo
Mas o gesto imprevisto descompassado a vida
Entrega-lhes como animal barulhento
Porque surge da profundeza da alma, todo acontecimento do porvir

Toda erva seca e a semente é homem
E se deita a sombra da árvore sombria do pensamento
Que dentro da imaginação faz teu rio transbordar em dobro
Pela malícia de tubos que levam a córregos poluídos

"Obra-prima se deita e folga
Num pasto distante
Chamado solitude de um homem só
Em que mal nenhum há

Solicitude sua em fazer arte
Enquanto dança sobre os montes
Vendo a cauda de cada estrela
Surgir e ressurgir em cada novo horizonte."

18 de junho de 2018

Nessas últimas tardes que antecedem a chegada do inverno. Quando o sol tímido surge no céu. Dois pássaros machucados vem aqui e pousam no corredor de frente a essa janela e eles se escondem detrás do canteiro de flores. E me pergunto: Porque eles se escondem ali? Aqui? Se há lugares altos, como arvoredos?

14 de junho de 2018

O tempo diz ao vento

Que não é frio dentro do pensamento
Que cria o movimento
E se amanhece frio, assim não é meu sentimento
É apenas o momento, e também se pode admirar

Porque mesmo no orvalho gelado
Flores como pássaros, amam viver
Noites frias de inverno a chegar
E no sonhar, pode ser sono de algodão

Os tempos mudam e as horas se revelam
E de novo, eles se movem, transeuntes
Que se possa sentir o vento reverso
Dos que buscam paraísos

"Porque é preciso ser um para viver a dois."

E ao se moverem as coisas
As que permanecem , também pertencem
A quem não tem pressa e sabe que vai chegar
Porque aprendeu a ser o suficiente para si no amor

Sem criar espaço para tudo querer
Que se esvai como trem
A deixar seus passageiros
Porque o amor é tudo que basta.

O bastante nunca será o suficiente

Chegam as estações
Se renovam as cores
Como caem as flores
E se vem vento, leva pensares

E nos movemos como nuvens
Que se movem e desfazem
Porque somos também a imagem
Do que vê nós o simplório céu

Quem dera transformar a imagem
Cega, surda e muda
Em afeições dos poemas mais lindos
A quem sonhamos querer

Mas há nisso afeição, acreditar e deixar ser
A vida na sua magnitude e dimensão
Tudo o que ela é, som, vida e todas as estações
E então, somos nós os transformadores.

8 de junho de 2018

E considerei comigo mesmo que nenhuma obra de engano pode manter um edifício de pé. Então adverti em meu coração que não é a riqueza que há diante dos meus olhos, que me trazem admiração para usura. Então, compreendi que não é a consideração da classe que dá nobreza, mas um coração puro, capacitado a desfazer todos os males com suas batidas. Porque no tempo da visitação da própria vida, os ventos carregam as folhagens e as cortinas dos horizontes se abrem. Assim, a vida realiza sonhos como também desfaz os planos ocultos de uma mente má e um coração enganoso.

"Intentais o coração para o amor e a alma para a libertação, e rebelar-se-a o vento reverso. Então, terás a sensação de que o inferno é tão real quanto tudo que deseja realizar. Visivelmente possuis capacidade para trabalhar e ter, e isso nunca satisfaz, porque sempre falta alguma coisa. "Se olhares a dispensa... O que ainda não falta, vai acabar." Portanto o amor, escreve cartas em secreto que atemoriza o mal do século que está em refrões e anúncios pelas avenidas diante dos olhos, criando um ilusório pensamento de necessidade e querer. Enganando a capacidade da imaginação para criar e não ser ludibriado pelos preços que mudam. O valor oculto só pode ser revelado ao que vê o que ninguém vê e sente o que também ninguém sente. Porque conhece somente as suas necessidades, não a capacidade aquisitiva que não é poder, é falta de tempo para si para viver pelas coisas. Que traças e ferrugem consomem, como molhos a gosto mancham...

Não é o entendimento mais importante do que a matéria. E se a vida é mais importante do que o corpo, estou certo por escrito, que o corpo é mais importante do que as vestes. Por isso, aquele que aprende o que está ensinando será do tamanho perfeito para preencher as lacunas do que diante de si se senta para aprender. Também não são as coisas em sua forma que promovem o sentido da sua existência, mas sim as cores para que diferencie cada coisa que há. Pois nada é igual só por ser igual. Tudo que há é feito no seu tempo e para o seu tempo. Cada coisa que existe, existe por algum motivo e razão

Sobre nós passa-se o tempo
E nos trazem os segundos as horas
Transformando cada momento
Formando nossos dias

E somos cada um, uma estação
Juntamente com as manhãs
Que gentis desenham as tardes
E florescem para o cair de cada noite

Tempo que chega e se vai
Realizando em cada um, o sonho
Porque nada podemos por si só
E então, aprendemos no silêncio:

Que não somos do tamanho da nossa altura e nos vêem
Mas do tamanho que sonhamos em ser
Pois nada se transforma sem a imaginação
E nada se aprende senão houver o transformador: A professora.

A professora
Que em cada tempo dentro tempo
Ensinou-nos que não é o seu dever maior do que a sua dedicação
Nos deixou através do seu olhar
O mapa a seguir sem rastos de dúvidas
E que não é o ensinamento ou o aprendizado: Maiores do que amor por cada coisa que se faz.

"Você é um desenho da vida
O reverso de outras existências
A nota perdida de uma canção
Um mundo intocável, permissível a si mesma."

3 de junho de 2018

"Nada pode alterar a respiração que ao se unir a outra, gera fogo e calor para a alma desejada. A união de dois caminhos pelas virtudes do espírito, chama-se amor e não destino que se espera encontrar. E então, nem chuva e nem trovões podem assustar e trazer a suspeita das assombrações quando caem as noites. Porque o amor, ele ensina a dormir na tempestade e caminhar sobre o mar."

1 de junho de 2018

"Supernova em nossas vidas como se há nas mais distantes constelações e que as nossas estrelas se encontrem e sejam uma só, para alta  brilhar até tocar a lua."

Os demônios

Os demônios A penumbra da madrugada fria Onde estreitos eixos se debatem Como um finíssimo aço na mata que se propaga Um saco de ossos v...